O QUE FAZ O HISTORIADOR?

Andava um pouco sumida… É porque nesta época de Natal, é muita correria e pouco tempo para resolver tantas questões… Fora que este final de ano foi atípico pelo fato de que “nunca antes na história” eu tive que frequentar a quantidade de “confraternizações” como neste ano…

Eu há muito vinha ensaiando um post para explicar o que faz um historiador, a questão é que, na verdade, pouquíssimas pessoas sabem exatamente qual é a função deste profissional. E isso ficou ainda mais claro semana passada, quando eu recebi uma resposta de uma pessoa que, claramente, não tem esta noção.

Talvez a dúvida venha das lembranças das aulas de História da época do antigo 2º grau… O fato é que eu vou tentar explicar, não o que seja um historiador, mas as possibilidades do trabalho de um historiador! Pode parecer presunçoso, mas não é a intenção, eu tenho certeza que vou poder ajudar outros historiadores que estão se formando e eles próprios, talvez não tenham a dimensão que esta formação possa oferecer.

Começando pela pergunta mais básica, o que faz um historiador?

E respondendo pelo senso comum simplista, seria: “O historiador é o profissional que estuda uma determinada época ou sociedade, tendo em conta as características econômicas, sociais, culturais e políticas.” Como eu disse anteriormente, SENSO COMUM. As pessoas costumam acreditar que o historiador é um estudioso de épocas passadas, isso é um engano! Um grande engano… Isto é reduzir o trabalho deste profissional.

No entanto, a capacidade que o historiador tem em perceber e antecipar questões não se trata de vidência e sim, de estar acostumado com questões intrínsecas, inerentes ao próprio homem. Ele, o historiador, antevê o fato por este (o tempo) ser cíclico.

Vou tentar responder esta questão através do divisor de águas para o papel da História e do historiador que foi a Escola dos Annales criada por Marc Bloch e Lucien Febvre que partiram com uma análise diferente do passado, onde ofereceram novas abordagens acerca da história.

Os Annales trouxeram o conceito de história como questão, ou seja, a história como problema, de maneira que pudesse ser analisada, discutida e modificada de acordo com as novas propostas sugeridas. Resumindo, lembra da propaganda do Futura? “O que move o mundo são as perguntas e não as respostas” – é por aí…

Bloch afirmou que a história é a ciência dos homens no tempo. Está claro que o homem atua no tempo, melhor dizendo, no seu tempo. Essa relação entre homem e tempo deixa exposto que o homem é um ser transitório, temporal e está sujeito a transformações. O tempo passa independentemente de nossa existência, mas de certa forma ou de forma completa, o nosso existir que determina a temporalidade, pois a nossa consciência que visualiza o passar do tempo e as relações que são constituídas. Isso nos remete à individualidade, isto é, o papel, a atuação e participação de cada homem no processo histórico.

Mas como atuam os homens no cenário histórico?

Cada homem atua no seu mundo do seu modo.

As histórias de vida são as histórias que determinam o construir da história.

A história tem uma história que é a história dos homens. As relações constituem o espaço onde novas relações são sucedidas.

O modo globalizante que a história envolve os homens deixa de forma bem explícita que as individualidades são mundos pertinentes à história.

A infância, adolescência, juventude e maturidade de cada indivíduo percorrem caminhos diferentes de maneiras diferentes. Entender as histórias individuais é entender o homem em suas transformações. E qual o papel do historiador em todo esse processo?

Muitos pensam e entendem de maneira distorcida o papel do historiador.

Bem, de fato é complicado mesmo definir qual a função do historiador. Bloch afirma: “O bom historiador se parece com o ogro da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está sua caça.”

O historiador é um observador dos homens, incluindo a si mesmo. Ele observa os momentos e as situações que ele está inserido, analisando como o todo nas diversidades individuais e coletivas.

O real sentido da história é a história dos homens em suas particularidades, relações, amores, sonhos, desejos, medos, constrangimentos, objetivos e etc.

O ofício de historiador nos remete a tentar compreender e não julgar os fatos. Cabe-nos então tentar relacionar os objetos de uma forma dialética considerando a totalidade e tendo em mente que também somos objeto nesse processo.

Há também a necessidade do historiador em usar a escrita e documentos como vestígios, para facilitar a análise no ofício de historiador. É de extrema importância entender que a análise crítica é feita através de questionamentos, trazendo em pauta novas questões onde o debate produz conhecimento histórico.

2 comentários sobre “O QUE FAZ O HISTORIADOR?

  1. Luciana, esse post foi de grande utilidade.
    Eu sei como sofro com essa dúvida das pessoas, e até eu explicar tudo, as grandes e reais possibilidades do historiador… infelizmente esse senso comum redutor ainda atrapalha muito.
    E cada vez mais me fascina a pesquisa na área de moda e comportamento.
    Enfim, adorei o post, recebeu bem o ano de 2012. rs
    Beijos

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