LuWski: histórias e lembranças

A LuWski é uma marca de bolsas que contava histórias… gosto de escrever, da pesquisa e usava as bolsas para ser a materialização desses estudos! A ideia da marca era criar um produto divertido, com design legal com acabamento impecável e matéria-prima minuciosamente pesquisada e testada para ter uma bolsa ergonômica e acima de tudo LEVE! Outro ponto importante da marca,  era trabalhar com personagens brasileiros, principalmente que imprimisse a marca e o lifestyle carioca.

Os personagens que estampam as bolsas são características de uma pegada bem carioca, que remetem a história e a memória da marca.

Bolsa Malandro Carioca de J. Carlos e o Carnaval

 

Kalixto, J.Carlos, o malandro carioca, os Arcos da Lapa, Figueiredo Pimentel, Dom Picollino, A Liga Contra o Feio, entre muitos outros, eram sempre temas das coleções, que não eram comprometidas com “tendências” de moda, mas sim com uma boa história a ser contada!

A Bolsa “Kalixto”, foi inspirada nos desenhos desse chargista, ilustrador, desenhista e etc… de finais do século XIX, Kalixto teve importante atuação no desenvolvimento da caricatura moderna no Brasil, juntamente com Raul Pederneiras e J.Carlos.

O maxixe‐dança surgiu em bailes populares de clubes recreativos, comumente denominados “gafieiras” que proliferaram no Rio de Janeiro em fins do século XIX. O estilo de dançar foi considerado obsceno na época, porque os dançarinos ficavam muito enroscados um no outro, fazendo meneios e rebolados.

 

O legal era o contato com as clientes, que adoravam as histórias dos personagens e muitas vezes eram (as histórias) o grande definidor de uma boa venda, ou um  bom contato profissional com algum logista ou com algum jornalista ou produtor de moda! Conheci muita gente nessa época! A princípio contatos profissionais e hoje em dia são amigos queridos.

 Muitas dessas histórias renderam várias matérias em jornais e revistas, venda das bolsas para mais de 15 multimarcas, algumas delas (só em Ipanema foram 7), no Leblon, Copacabana, Barra, além de Fortaleza, Piauí, São Paulo, Santa Catarina, Goiás e ainda Japão e Miami… alguns clientes até hoje me pergunta por que deixei de fazer as bolsas… Talvez o dia a dia puxado no Projac, a concorrência da China e outros interesses me levaram à outras escolhas.

Bolsa Alceu Penna : as garotas do Alceu invadem a praia de Copacabana!

No entanto, toda vez que venho para o Rio sinto vontade de voltar a produzir! O Rio sem sombra de dúvida é a minha grande inspiração… as pessoas nas ruas, a forma como se comportam e expressam, as festas, os eventos, os amigos, os reencontros, os cantinhos únicos…

Vários momentos da LuWski…

Hoje vários amigos da época da LuWski me apontam bolsas que parecem com as que eu fazia… Posso dizer que a grande novidade da LuWski daquela época foram os forros das bolsas e as colagens que eram produzidas uma a uma!

Indicação da Veja Rio, LuWski Marinheiro, presente de Natal!

Com essa indicação da Veja Rio a Bolsa Marinheiro e a LuWski foi parar mais uma vez na TV…

Drica Moraes , na minissérie Queridos Amigos

Os forros não faziam somente parte da construção das bolsas, eles eram escolhidos para contar as histórias dos personagens aplicados, os forros ajudavam a contar a história e levar para o contexto do Rio de Janeiro da época em questão.

Bolsa Patuá: sincretismo religioso! A sua vida tá difícil? Então essa bolsa é pra vc!!!! E ainda vem com um saquinho de sal grosso para o seu banho de descarrego e abre caminho

 

O mais engraçado que na época que eu fiz faculdade de Moda no Cetiqt eu não curtia e nem fazia nada, quer dizer, não produzia nenhum produto… mas era encantada com as aulas de história da moda e de química têxtil. Somente quando fui fazer a faculdade de História eu criei a minha primeira bolsa… Queria uma bolsa LEVE, que coubesse os meus livros, cadernos e textos e que ainda contasse uma história! Eis que surge a primeira LuWski, o meu apelido de faculdade acabou virando a minha marca!

A minha primeira bolsa foi a “Jornal” uma estampa que a Casa Pinto, fazia num tergal vagabundo ( e graças a essa bolsa e a minha insistência eles começaram a produzir numa sarja bem bacana) que tinha como estampa frases e “matérias” sobre jogo do bicho, assassinatos, corrupção, roubos e tudo de pior que um jornal tipo “Meia Hora” poderia anunciar… Então resolvi aplicar uma flor colorida, lembrando o ato da jovem clicada por Marc Riboud, quando ela ofereceu a flor aos soldados da Guarda Nacional, durante protesto contra a Guerra do Vietnã…

Bolsa Jornal: porque nada é tão ruim assim

A partir daí os meus próprios amigos da faculdade de História começaram a encomendar, depois o pessoal do Jornalismo, da Filosofia e foi indo até eu terminar a faculdade, resolver fazer um MBA em Moda, conhecer pessoas incríveis e ter uma matéria sobre as minhas bolsas escritas pela queridíssima Marcia Disitzer e a partir daí foi uma loucura…

A matéria só com a LuWski

Não sei por que resolvi escrever sobre isso… acho que tenho visto muitas coisas pelo Instagram como uma grande novidade e olho aquilo tudo e vejo que nada é tão novidade assim… E, talvez porque toda vez que chego ao Rio, corro para a fábrica do meu pai e começo a desenhar, pegar os materiais e acabo fazendo uns modelitos novos para uso pessoal :) e também porque semana passada no Zorra Total, apareceu uma bolsa que eu fiz para O Desculpe eu sou chique, que foi comprada pela produção da A Grande Família, para a Marieta Severo, a mais de 7 anos atrás e descubro que até hoje tem LuWski circulando lá por dentro das produções da Globo…

Levei um susto ao ver essa LuWski que fiz para o Desculpe eu sou Chique, em 2008!

 

Essa bolsa que apareceu na TV, foram tantas que a produção de Malhação e A Grande Família compraram que eu quando trabalhava lá e dava de cara com elas levava um susto!

Lembro que a gente que criou essa alça com recouro e forramos com couro… o nome dessa bolsa era “Variação sobre o mesmo Tema”, pois toda vez que a gente repetia uma modelagem com novos temas a gente dava esse nome!

 

A Grande Família

 

Mala Copacabana numa produção com o Costureiro. Essa mala foi parar em Miami

 

A maior chiqueza foi ter Juliana Luna dando uma força para a LuWski como modelo em produção conjunta com a Devassa.Com! Ela está arrebendando nos looks e produções para o programa Encontro, com Fátima Bernardes, super engajada na luta política, cultural e comportamental, criou o evento Lua Cheia e arrasa pelo mundo afora!

 

 

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