A Não Lista

Fazer “listas” de qualquer coisa é uma tarefa muito difícil. Na verdade, sempre tem alguém que fica de fora… Listas de lugares para conhecer antes de morrer, listas de músicas, de viagens, autores, leituras etc…

Listas de fotógrafos tem várias… os comerciais, os conceituais, os queridinhos, mas o que devemos perceber em cada trabalho é o contexto daquelas fotos/cenas e também a importância da moda para a fotografia e fotógrafos e vice-versa.

A fotografia de moda precisa ter mais do que a técnica, passar uma ideia, uma emoção, comunicar algo, precisa ser contextualizada e mais ainda, materializar desejos. Existe uma tendência de linguagem única e a fotografia de moda não escapa disso, os excessos de caras e bocas, sensualizações e filtros andam deixando as fotografias repetitivas e padronizadas!

Tenho uma tendência a contextualizar e “linkar” várias possibilidades e para as fotografias e editoriais, costumo pensar como se tivesse numa gravação dentro de um estúdio de TV – vem à minha mente, quase que imediato – o MG1, onde são gravadas as novelas…penso em todo o trabalho da pré-produção, da montagem do estúdio, a iluminação, o som, a conversa de posicionamento das câmeras, a entrada em cenas dos atores, as marcações, os gestuais, as expressões, minha experiência vem da televisão, os meus cursos de fotografias foram com esses profissionais, gosto de dirigir a cena, de pensar a história, visualizar o todo, mas não gosto da câmera em si… do ato do fotografar, gosto de criar a história e montar o cenário…

Para não sair do contexto das listas de fotógrafos, tenho alguns que não deixo de seguir e observar, penso em como seriam nos dias atuais (os que já não estão mais por aqui)… gosto do “pictorialismo” de Meyer, da teatralidade de Horst ou Beaton, construtivismo de Huene ou surrealismo de Ray e Blumenfeld.

Outros que eu não deixaria de fora, seriam: Richard Avedon (óbvio), Irvin Penn e David Bailey (os trabalhos que fez com Diana Vreeland <3), Mario Sorrenti e Tim Walker… tem tantos outros, mas esses são os que mais me inspiram!

Imagino, eles se posicionando, o que eles estão falando com a modelo, quantos são ou como estão a sua equipe, o que eles falariam da luz, dos ângulos, o que devem ter pensado antes do click…

Enfim… segundo Roland Barthes:

“A Fotografia carrega os mitos do fotógrafo e, este, dota aquela de funções: informar, representar, surpreender, fazer significar, dar vontade.”

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