Teatro Municipal do RJ

14 de julho é dia dele! Aniversário de uma casa de espetáculo à altura do RJ, era o que a maioria dos “jornaes” da época estamparam em sua primeira página!

Projeto que por “bem“ foi escolhido em concurso… e para nossa surpresa, foi o filho do prefeito que ganhou… políticas à parte, não deixa de ser uma bela construção, marcada por detalhes e requintes de uma das principais épocas que marcou e marca até hoje o jeito de ser carioca e não só das elites!

Projeto concorrente para fachada 1904 – Francisco Passos
Albert Guilbert – projeto concorrente – fachada 1904.
Projeto final – resultado da fusão dos dois premiados , ambos inspirados na Ópera de Paris – 1904.

Vida longa ao teatro! Vida longa a Cultura! Viva o Teatro Municipal!

Que em 14/07/1909, foi manchete no Jornal do Brasil:

“O Rio ainda não é Paris, mas, pelo menos, já conta com uma casa de espetáculos à altura das melhores da Europa, com a inauguração do Teatro Municipal. Em 54 meses de obras foi erguido o projeto do arquiteto Francisco de Oliveira Passos, muito parecido com a Ópera de Paris. A casa ocupa uma área de 4.220 metros quadrados e comporta 2.375 espectadores. Em seu interior finamente decorado, encontram-se obras de Henrique Bernardelli, Rodolfo Amoedo e Eliseu Visconti, que pintou o pano da boca de cena, A Influência das Artes sobre a Civilização. A gigantesca tela retrata grandes mestres da pintura, como Leonardo da Vinci, Rubens e Rembrandt, e da música, como Verdi, Beethoven e o brasileiro Carlos Gomes, que aparece em posição central. Visconti não se esqueceu nem de Oliveira Passos, também retratado no pano”.

Grupo Corpo 2019

Já no O Paiz de 14/07/1909, falou sobre as elegantes e homens bem sucedidos em casacas preta:

“A platéia completamente cheia de cavalheiros e senhoras deixava destacar estas pelo luxo, riqueza de adereços, formosura das cabeças e colorido variado dos trajes dos cavalheiros na sua uniforme e correta casaca preta.
Nas luxuosas frisas e camarotes, como nos balcões e galerias nobres superiores era a mesma encantadora beleza de contraste, tão comum, e sempre admirável e pomposo, espandindo-se até a orla última – a galeria – onde curiosa, embevecida, a nossa mocidade acadêmica, misturada com o povo de todas as classes, fechava o ambiente que a cúpola ilustrada por Visconti coroava.”

Após algumas alterações no projeto, o prédio começou ser erguido em 02/01/1905 – fotografia de Augusto Malta 1906.

Já A Notícia, “deu” o serviço completo…

“Entre a Avenida Central e a Rua Treze de Maio, voltado a sua fachada – imponente nas puras linhas do reu estilo do Renascimento – para o mar – o Teatro Municipal avulta num deslumbramento de ouro e mármore, de cristais e vitraux. E, para todos nós, ele, ali está, como uma esperança de melhores dias para a nossa arte dramática, que a incoerência de uns, a má compreensão de outros deixam cair até a degradação do momento atual. (…)O Teatro Municipal que hoje inauguramos é bem um templo em cuja nave esperamos ver um dia – não muito longe – o ressurgimento dessa arte que será para nós também, como outrora para os helenos, a escola de energia de que tanto carecemos.O programa para esta tarde é o seguinte:1a Parte: Hino Nacional, Discurso Oficial do Sr. Olavo Bilac, Insomnia – Poema Sinfônico do Maestro Francisco Braga.2a Parte: Noturno, da Ópera Condor de Carlos Gomes , Bonança – Peça de Um Ato de Coelho Netto, Desempenhada Pelos Atores Nacionais.3a Parte: Moema – Ópera Lírica em Um Ato de Delgado de Carvalho, Cantada por Artistas do centro Lírico Brasileiro.” A Imprensa, 14 de julho de 1909.”A sociedade fluminense vai hoje assistir à inauguração do suntuoso monumento de arte que é o Teatro Municipal e, ao mesmo passo, assistir a um espetáculo exclusivamente nacional. (…)Coelho Netto era decerto imprescindível neste espetáculo, que bem se pode considerar o início de uma nova era para o teatro nacional, e o grande escritor escreveu um ato que é a revelação de um ideal novo na nossa literatura profundamente original: Bonança marca uma nova fase de seu teatro como o verificarão os que logo tiverem a ventura de a ouvir. Para interpretar essa nova produção do fecundo autor nacional veio de São Paulo a companhia dramática Arthur Azevedo, de que é a primeira figura feminina a distinta artista Lucilia Peres.Com Coelho Netto aparecem também neste espetáculo genuinamente nacional dois musicistas brasileiros: Francisco Braga e Delgado de Carvalho. O primeiro apresenta o poema sinfônico “Insomnia”, com texto de Escragnolle Doria. O segundo a sua ópera Moema.Mas a eloqüência oratória devia ter também uma alto representante nessa festa intelectual. Essa é representada por um dos maiores poetas e prosadores brasileiros, Olavo Bilac, que fará o discurso inaugural.Tomam parte na interpretação da Bonança as atrizes Lucilia Peres, Gabriella Montani e Luiza de Oliveira e os atores A. Ramos, Nazareth e João de Deus. A Moema terá como intérpretes a sra. Laura Malta e os srs. Americo Rodrigues, Oswaldo Braga e Mario Pinheiro. A orquestra dirigida por Francisco Braga é composta de 64 pessoas, muitas das quais professores do Instituto. o cenário da Moema é trabalho do distinto cenógrafo Chrispim do Amaral.” (A Notícia, 14 de julho de 1909).

E continuou no dia seguinte…

” (…) Contudo o efeito da sala era deslumbrantíssimo. A fina elegância, o rigor de toilette foi mantido e as linhas dos camarotes apresentavam um belíssimo golpe de vista. A sala é um encanto cheio de público. As localidades bem dispostas, o forrado cautchouc abafando o rumor dos passos, todos os pontos com boa vista para o palco dão uma impressão agradabilíssima. A acústica é excelente como ontem se pôde verificar com a audição dos dois g6eneros teatrais, o musical e o declamado. Longe do que poderia se esperar pelas suas dimensões, a sala parece pequena e os espectadores mais afastados como se sentem próximos do palco. O espetáculo correu magnificamente.

O hino nacional, a sinfônia Insomnia, de Francisco Braga, o Noturno da ópera Condor, Carlos Gomes, bem como a partitura da ópera Moema, de Delgado de Carvalho, foram excelentemente executados pela orquestra de 64 pessoas, regida pelo maestro Francisco Braga. A peça de Coelho Netto, Bonança, também teve excelente interpretação, sobretudo por parte das sras. Gabriella Montani e Luiza de Oliveira e do sr. A. Ramos. (…)

O discurso de Bilac foi mais uma dessas orações de que o seu talento é tão pródigo, em tudo à altura da magnificência e do esplendor dessa soberba festa de arte que foi a inauguração do suntuoso monumento.” – (A Notícia, 15 de julho de 1909).

Visita do presidente da República, Nilo Peçanha- 14/07/1909

Aqui estão, alguns dos inúmeros materiais que analisei na época da pesquisa para o meu mestrado…

Todos os “jornaes” se esmeraram em suas capas, tanto os que eram a favor, como oposição. O fato é, se fosse nos dias de hoje, teria sido top trends no Twitter.

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