DAVID BAILEY

Quando Diana Vreeland foi para a Vogue, David Bailey, achou que seria dispensado, pois achou que ela traria sua equipe, os fotógrafos que ela estava acostumada a trabalhar na Haper’s Bazaar, tipo Richard Avedon, considerado o maior encontro profissional entre mente e click criando uma nova “Era” na fotografia de editoriais de moda.


Bailey, podemos dizer que tinha uma relação de “amor x ódio” com Vreeland, uma relação de charminho e alfinetadas, mas confessa, anos mais tarde a genialidade dela “Ela era criadora de moda e entendia a moda de um jeito diferente das outras pessoas, você pode fazer moda ou pode sê-la… ela entendia a influência da música, do cinema, do fotografo, das modelos, entendeu a mudança e apresentou isso tudo para um público muito maior”.


Diana encantada com os anos 60, estava preparada para a liberdade da juventude, já tinha vivido algo parecido na década de 1920. Queria uma nova safra de jovens fotógrafos, Bailey estava entre eles. A alegria e euforia dos Beatles, a minissaia, Twiggy, as ruas de Londres, canalizava um tipo de energia que Diana logo percebeu ser o progresso “não era preciso ter modos”. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, a revolução social, sexual, política, direitos civis, Black Beautiful, a ciência e a juventude movimentando e reafirmando posturas, foram atrás da vida em vez de esperar que ela viesse até eles, era uma liberdade real! Ela soube naquele momento que a moda caminhava para algo global.


A primeira foto de Mick Jagger, foi de Diana. Bailey ofereceu a foto para a Vogue Britânica, que não o conhecia e não aceitou, mandou para DV, que também não o conhecia, mas adorou a “boca carnuda” do rapaz e publicou, Jagger depois, já conhecido, os Rolling Stones, justificou “deixe que as pessoas saibam, elas devem saber que existimos. Isso é importante quando você é um novato e está começando”.


A moda precisa de um olhar mais global, menos preconceituoso. A moda do século 21 ficou careta, acompanhou o movimento contrário à liberdade, entrou num quadrado e deixou de se divertir e avançar. Ficou presa numa rede que sempre surfou a parte captando e fazendo a crítica. Moda quando passa a pertencer e fazer escolhas deixa de ser inteligente e só acompanha o fluxo de modinhas, deixa de ser política e passa a ser de dominação/ dominada. Deixa de ser movimento e deixa de flertar como linguagem e com a própria história.

Deixe um comentário