Estava vendo um monte de críticas sobre a série ‘New Look’ da Apple TV e decidi dar uma conferida. Logo de cara, a qualidade técnica, eu achei bem bacana! Com imagens lindíssimas. Luz, fotografia, locações e cenários achei bom.
Agora, o figurino… Ah, o figurino… adorei as referências, de vários looks icônicos que a gente já viu em vários livros sobre história da moda, uma delas as cenas de Chanel e outras protagonizadas pela irmã de Dior, dentre outras.
Para quem esperava uma história só sobre costureiros e moda vai se decepcionar. A trama é muito mais sobre a ocupação da França na Segunda Guerra Mundial. Vai falar sobre medos, sobrevivência e incertezas sobre o futuro. E no meio disso tudo, temos esses costureiros incríveis que marcaram época. Mostrar que Dior e Balenciaga, tiveram que fazer os vestidos para as esposas dos generais da SS, mesmo discordando de Hitler e mostrar uma Chanel, talvez pior que a original…
Dior abrigava estudantes em casa e os sustentavam, a irmã dele, a Catherine (Miss Dior), era agente da resistência francesa e acabou sequestrada e torturada pelos alemães.
A série não traz muitas surpresas para quem já conhece a história da Chanel. A gente sabe dos “laços” dela com os nazistas. Ela recebia favores, e eles, por sua vez, queriam que ela fosse uma espécie de “ponte” com a Inglaterra.
New Look vai além. A série mostra o que a moda realmente é. São vários fatores que influenciam de dentro pra fora e vice-versa. Política, cultura, sociedade, economia… tudo isso se mistura e acaba moldando os comportamentos dos tempos.
Não vou entrar nos detalhes do Lucien Lelong interpretado pelo John Malkovich, nem na rivalidade entre Chanel, Dior e Balenciaga. Isso fica para outro dia!
O desfile inicial, na Sorbonne para os estudantes, foi emocionante ver a “metáfora da volta por cima” com os vestidos que deram o nome a série, que mudaram a forma de vestir das mulheres dos anos 50, apesar de ter várias críticas sobre esse ponto, eu gosto de olhar por outros ângulos, gosto de olhar pela história e imaginar os vários lados de uma época.
Dior resgata uma forma, um modelo e readapta ao seu tempo e quem dá nome de New Look é a editora da Harper Bazaar, Carmel Snow, que fica encantada e descreve os vestidos como uma verdadeira revolução. O sucesso não foi imediato, pois muitos acharam exageradas as metragens para confeccionar um único vestido, mas Dior conseguiu traduzir o momento presente dele e lançar. As revistas de moda também sedentas por boas pautas ajudaram a levar o sonho a outros níveis e logo na década seguinte, a forma da silhueta feminina é totalmente redesenhada por conta de um olhar mais atento. Não que o mérito seja totalmente de Dior, mas ele interpretou algo fora da curva e por outro lado, as mulheres se interessaram pela forma, entenderam o sonho, queriam sair do sacrifício e das restrições vividas naquele passado recente da guerra, mais tarde, o próprio Dior nomeou como “ideal civilizado da felicidade”.
Enfim, ainda não sei se gostei ou não, fato é que muitas das críticas que eu li sobre a série não procedem, por isso gosto de assistir, eu gosto de olhar sobre os vários vieses e não ficar presa a história mais conhecida daqueles personagens… Agora comparar New Look, com Casa Gucci, é pura maldade…
