Artificialidade da Inteligência

Assim que o Midjourney foi lançado, interessei-me muito pela ferramenta. Eu havia acabado de criar várias pranchas de personagens para o figurino de uma novela e estava ansiosa para explorar novas possibilidades. Além disso, precisava desenvolver pranchas de maquiagem e cabelo, já que a novela exigia uma caracterização detalhada, com personagens inspirados em personalidades reais e históricas. Inicialmente, vi o Midjourney como uma grande aliada para otimizar meu trabalho, pois me pouparia tempo na busca por referências para as colagens. No entanto, logo percebi que a ferramenta não me daria a qualidade que eu necessitava, para conseguir todas as camadas necessárias, perdia-se muito tempo na elaboração de prompts e mesmo assim ela não alcançava o mesmo resultado feito com outros recursos. Hoje, com as novas gerações de IAs conseguimos chegar mais próximos de bons resultados, pois temos opção de inserir imagens de referencias para “ela” entender melhor a estética desejada, mesmo assim ainda fica muito aquém. 

Desde as primeiras IAs, sempre me interessei mais em compreender o processo de geração de imagens do que na qualidade delas em si. Queria entender como chegar a resultados mais precisos e menos artificiais. Ao começar a pesquisar prompts, minha formação em história me guiou a explorar os comandos e seus impactos nos resultados, a partir de uma estrutura bem fundamentada. Buscava entender quais comandos geravam os melhores resultados para cada tipo de trabalho. 

Hoje, observo muitas pessoas e empresas utilizando IAs com entusiasmo, como se fosse a última novidade tecnológica. No entanto, percebo que muitos utilizam a ferramenta de forma superficial, apenas por estar na moda. Na minha experiência como pesquisadora e coolhunter, quando todos falam a mesma coisa sobre algo, é hora de olhar para outra direção, de aprofundar a análise e buscar novas perspectivas. Afinal, a padronização pode gerar desconfiança e diminuir o valor da ferramenta.

Como Bauman já disse, a era líquida prioriza a satisfação individual em detrimento da aprendizagem profunda. Concordo com Fernand Braudel quando afirma que o conhecimento profundo exige tempo e dedicação. Embora os conceitos sejam contraditórios, acredito que o verdadeiro conhecimento se constrói através da pesquisa e da reflexão, e não apenas pela busca da novidade. Em um mundo cada vez mais superficial, é fundamental manter um olhar crítico e buscar o conhecimento de forma mais consciente. 

E remexendo as minhas primeiras imagens (lá em 2022). Ainda na 1ª geração de IAs, acabo não sendo mais tão crítica comigo. Hoje possuo um “hub” de IAs que complemento com as minhas colagens e acabo gostando!

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