Ronaldo Fraga e Milton Nascimento: quando a moda canta memória


No SPFW N60, Ronaldo Fraga transformou a passarela em poesia. Sua coleção “Minas-Nascimento” foi mais do que um desfile — foi um reencontro entre dois gigantes da arte brasileira, unidos pela sensibilidade, pela memória e por uma mesma terra que respira cultura e afeto: Minas Gerais.


Fraga já havia trabalhado nos figurinos da última turnê de Milton, razão pela qual o artista tem ainda mais significado para ele.  

Com tecidos que parecem conter histórias e cores que ecoam o pôr do sol mineiro, Fraga costurou lembranças de Milton Nascimento, sua música e sua trajetória. Cada peça era como uma nota, cada bordado como um verso, compondo uma sinfonia visual sobre pertencimento, infância, fé e amizade.


A silhueta seguiu marcas já frequentes no trabalho de Fraga: cortes amplos, formas que dialogam com o voo, a amplitude e o espaço.  

No lugar de espetáculo, vimos um ritual de emoção. Crianças com asas de papelão abriram o caminho, luzes desenharam os morros de Minas e as roupas — feitas de linho, jeans, crochê e tafetá — lembraram o poder do trabalho manual e da identidade brasileira.


Trabalho artesanal: bordados, rendas tipo richelieu, crochê e franjas apareceram com destaque, valorizando o trabalho manual e comunidades de artesãos de Minas Gerais.

O nome da coleção é “Minas-Nascimento”, uma clara homenagem a Milton Nascimento e à cultura mineira. Ronaldo mais uma vez conseguiu transformar o desfile em uma espécie de ritual poético, entre memórias, música e simbolismos.  

Ronaldo não apenas celebrou Milton. Ele celebrou o que há de mais profundo na arte: a capacidade de transformar memória em forma, saudade em beleza, afeto em criação, se há algo que sempre definiu Ronaldo Fraga é o equilíbrio entre poesia e precisão. Ele é, antes de tudo, um contador de histórias através da moda, um criador que nunca se afastou da técnica, da qualidade e do design. Sua arte emociona porque é sólida — desenhada com rigor, construída com pesquisa e costurada com alma.


Cores: tons terrosos, dourados, azuis profundos, metálicos e neutros.

Na passarela, vimos um ritual de beleza e memória, onde o tempo parecia se dobrar entre o passado e o futuro. Ronaldo celebrou Milton, mas também celebrou o poder da moda como linguagem: aquela capaz de traduzir o invisível — o som, a saudade, o amor — em forma, textura e cor.


O desfile foi aberto por crianças vestindo asas de papelão, simbolizando a infância de Milton Nascimento.  

Os modelos usavam lâmpadas de LED nas cabeças para formar desenhos que lembravam o contorno dos morros de Minas — uma evocação visual da paisagem mineira.  

Sobre a passarela, trilhos de trem foram desenhados para aludir às viagens musicais e às ligações entre Minas e outras paisagens.  

Detalhes como medalhas de santos, bordados com letras de músicas (ex: “Maria, Maria”, “Caçador de Mim”) reforçaram a relação entre música, fé e memória.  

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