Oscar 2026

Fui convidada pela revista Casa e Jardim a falar sobre os possíveis indicados ao Oscar nas categorias de Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte antes do anúncio oficial da Academia. Eu nunca gostei de uma “lista já legitimada”, mas sempre pensei o cinema para exercitar um olhar crítico a partir da observação de tendências visuais, escolhas estéticas e coerência narrativa.

A matéria foi publicada exatamente no dia em que os indicados foram revelados… e só fiquei sabendo hoje… ando um pouco afastada das redes sociais.

Analisar figurino e direção de arte não é prever resultados ou “acertar apostas”. Trata-se de compreender esses campos como estruturas narrativas, profundamente ligadas ao contexto histórico, às decisões de linguagem e à construção simbólica dos personagens e dos espaços. Figurino e direção de arte não operam como ornamento, mas como discurso visual — organizam tempo, espaço, identidade e afeto.

Esse tipo de leitura nasce do cruzamento entre pesquisa histórica, repertório teórico e prática profissional. É um olhar que se constrói tanto na sala de aula quanto no set, no arquivo, na análise de filmes e na experiência acumulada com processos criativos reais. Por isso, quando esse debate alcança um público mais amplo, fora dos círculos estritamente acadêmicos ou técnicos, ele cumpre um papel fundamental de mediação cultural.

O Oscar, enquanto instituição, tem seu peso simbólico e político. Mas o pensamento crítico sobre cinema — especialmente sobre seus elementos visuais — não deve começar nem terminar na premiação. Ele se fortalece justamente no exercício contínuo de análise, comparação e contextualização, independentemente do resultado.

Mais do que comentar nomes, essa participação foi uma oportunidade de reafirmar algo em que acredito profundamente: o cinema se lê, e sua dimensão visual é uma das chaves mais potentes para entender narrativas, épocas e valores culturais.

Matéria completa: Revista Casa e Jardim – Oscar 2026

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