Eu amo “centros antigos” de qualquer cidade, gosto das cidades que conservam suas histórias e memórias através da arquitetura! Sou fascinada por arquiteturas que contam histórias!
Sou de história e apesar de toda a minha vida profissional começar na moda e só bem depois eu começar uma faculdade de história e basear minha pesquisa na moda, também inclui a arquitetura nos meus estudos…
O Rio tem uma característica particular por ter sido o centro político, cultural, econômico dos vários períodos históricos, principalmente o Imperial e a República, até esse centro se deslocar de certa forma para Brasília, quando iniciou uma nova capital no Brasil…
O Rio junta em um espaço geográfico bem próximo e que se pode fazer a pé, o período Colonial, Imperial e 1a República…
Engraçado que já fui em vários casamentos na Igreja de São Francisco de Paula e sempre comentava que precisava ir um dia para conhecer a igreja e sua história…
E hoje foi o dia!!!
A Igreja de São Francisco de Paula, é considerada uma das que melhor representa a evolução da arquitetura colonial. A construção iniciada aproximadamente em 1759 e só concluída em 1801…
Um dos pontos altos da visita à igreja é o altar mor e a capela de Nossa Senhora da Vitória ambos obra de Mestre Valentim, entre outros artistas!
À direita de quem entra na igreja, no fundo do corredor, está situada a Capela de Nossa Senhora da Vitória, que, igualmente, é deslumbrante no que respeita a decoração. O entalhamento dourado é todo obra de Mestre Valentim. No trono está a santa da invocação, ladeada por Santa Terezinha e São Sebastião, entre flores e ornamentos vistosos.
Altar da capela de Nossa Senhora da Vitória, obra de Mestre Valentim.
Teto, pintura de Manuel da Cunha.
As pinturas dessa capela foram feitas por um negro, escravo do Cônego Januário da Cunha Barbosa. Chamava-se ele Manoel da Cunha. Foi a Europa, com o consentimento do seu senhor, acompanhando João de Souza artista do qual era discípulo, ali Manoel da Cunha aperfeiçoou os seus conhecimentos na arte da pintura, e, quando aqui chegou, de volta, conseguiu comprar a sua liberdade com os recursos adquiridos com a venda dos quadros que pintava.
Toda essa beleza de que se compõe a igreja, compreendendo o entalhamento, as colunas de granito e de mármore que tanto agradam aos olhos e emprestam incomparável distinção ao santuário foi, um dia, amparado pelo mau gosto de administrações passadas.
Em 1944, o Corretor-mor, Comendador Oscar Costa, amante das tradições nacionais e esteta de fina sensibilidade, resolveu, de acordo com o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, restaurar tudo aquilo que a tinta ocultava. E assim voltou o esplendor que sempre tivera, e que o colocara entre os mais suntuosos do Rio de Janeiro.
Toda vez que eu visito um prédio histórico e que sei que passou por alguma restauração, procuro onde está a janela de prospecção, não diferente, ela estava lá, próximo ao altar da capelinha.
Na preservação e no restauro de edifícios históricos costuma-se selecionar um trecho das paredes, normalmente em formato retangular, para avaliar, através da cuidadosa extração da camada exposta, as características e condições das camadas de pintura mais antigas e permitir a visualização de suas configurações originais ou anteriores à pintura aplicada mais recentemente.
Através dela, podemos espreitar o passado, obtendo vislumbres das anterioridades históricas dessas superfícies.
Deixaram uma rosa branca em uma das catacumbas.
Foram sepultados nas catacumbas entre muitos, o Comendador Antônio Feliciano Serpa, o Conde da Barca, o Barão de Taquari, o Barão de Sorocaba, a Condessa de Iguaçu, filha de Dom Pedro I e da Marquesa de Santos, o Conde de Beaurepaire, o Desembargador Francisco da França, além de outros nomes distintos da nobreza, da aristocracia e da elite. Os despojos de todos que se encontravam na igreja, foram trasladados para o cemitério da Ordem, em Catumbi, quando em 1850 o governo imperial proibiu o enterramento nas igrejas.



